15 Dezembro 2008

Coronel do Exército morre em troca de tiros em São Conrado

Um coronel do Exército e um bandido morreram depois de uma troca de tiros essa madrugada, em São Conrado, na Zona Sul do Rio.



O coronel estava em um carro. Ele seguia pela Auto-Estrada Lagoa-Barra, em direção à Zona Sul.

No meio do trajeto ouviu tiros. Percebeu que bandidos numa moto estavam querendo roubar um veículo.

O coronel Cid Canuso Ferreira tentou impedir. De acordo com os investigadores, ele teria jogado o carro contra os motoqueiros, mas foi morto com um disparo que partiu da pistola de um dos assaltantes.

No carro que era alvo dos bandidos estavam dois policiais, do setor de inteligência da Secretaria de Segurança Pública. Os agentes reagiram à tentativa de assalto e atiraram.

Os ladrões revidaram. No confronto os dois assaltantes acabaram baleados. O outro, Alexandre da Cruz Paula, de 28 anos, mesmo ferido, tentou escapar a pé. Atravessou a estrada de alta velocidade, mas morreu antes de chegar ao fim da pista lateral. Segundo a polícia, o tiro que matou o coronel teria sido disparado por ele.

Acidente entre dois ônibus em Del Castilho deixa cinco feridos



Cinco pessoas ficaram feridas num acidente entre dois ônibus, ontem, em Del Castilho, no subúrbio do Rio. A batida foi na Avenida Dom Helder Câmara, perto do Norte Shopping.

Segundo testemunhas, o motorista de um dos ônibus foi desviar de um táxi, perdeu a direção e bateu de frente com o ônibus que seguia na pista sentido contrário. Os bombeiros foram chamados. Um dos motoristas teve ferimentos graves. Outras quatro pessoas ficaram feridas mas sem gravidade.

Um rapaz que mora na região disse que acidentes nesta área são freqüentes. “Há 15 dias atrás o 711 atropelou duas meninas de bicicleta aí na frente próximo ao local de trabalho. É muito perigosa essa via aqui, demais, demais”.

A Guarda Municipal informou que a partir de hoje um carro com dois agentes de trânsito vão reforçar o patrulhamento na região do acidente.

Menino morre vítima de choque elétrico numa praça de Realengo

Um menino de 12 anos morreu vítima de um choque elétrico numa praça em Realengo, na Zona Oeste. Segundo testemunhas, ele teria encostado num poste que estava em curto circuito.



A família está muito abalada. O menino Jéferson dos Santos, de 12 anos, jogava futebol com os amigos numa quadra que fica na Rua Jequitinhonha em Realengo. Era noite de sábado, e chovia muito.

Segundo testemunhas, no intervalo do jogo ele saiu da quadra e pisou numa tampa da caixa de energia da Rioluz que fica na calçada. Ele teria levado um choque elétrico e se apoiou em um poste que fica bem em frente.

“Quando ele pisou no bueiro estava saindo muita água, daí ele agarrou no poste e falou que estava tomando um choque, o Michel não queria acreditar e ele abaixou a cabeça aí apagou. Quando eu encostei nele a descarga que estava nele passou para mim e ela me jogou no campo”, conta um menino.

Os vizinhos ainda tentaram socorrer Jéferson, mas ele morreu a caminho do hospital.

Segundo os moradores, outras crianças que freqüentam as quadras da praça já levaram choques ao se encostarem em postes.

“Colocamos ele no canto e um rapaz da igreja socorreu ele e fez respiração boca a boca e aí todo mundo ficou desesperado, a mãe dele chegou logo em seguida e desesperada dizendo que o filho tinha morrido. Tentamos acalmar um pouco ela, mas infelizmente não conseguimos”, fala Fernando da Silva, auxiliar de serviços gerais.

“Essas quadras aqui tem uns três ou quatro anos que nunca vem ninguém aqui fazer a manutenção e está desse jeito perigoso. Outra pessoa levou choque só que não foi fatal, mas de vez em quando as pessoas levam choques aí, só que no de ontem o garoto estava descalço, jogando bola, chovendo e foi fatal”, revela Manoel Nestor de Almeida, aposentado.

A Rioluz informou que não sabe quais foram as causas do acidente e que só vai se pronunciar após a divulgação do laudo da perícia técnica.

Darly diz que Chico Mendes foi responsável por sua própria morte

Após 20 anos, fazendeiro acusado de ser o mandante do crime conta outra versão para morte do seringueiro. Ele e seu filho Darcy, acusado de ser o executor, foram condenados a 19 anos de cadeia.



Vinte anos depois, o Fantástico volta à terra onde foi assassinado o líder seringueiro famoso no mundo inteiro que travava uma luta em defesa do meio ambiente. O repórter Ernesto Paglia conversou com as pessoas que ajudam a manter viva a floresta e a memória de Chico Mendes e encontrou o homem condenado como mandante do crime.

Caminhar na floresta bota as coisas em perspectiva. Seu Sebastião, primo-irmão de Chico Mendes, é guardião de uma história que acabou em tragédia. Tudo por causa deste chão: o seringal cachoeira que fica no município de Xapuri, no Acre.

Fantástico: Quer dizer, hoje isso aqui era para ser pasto?

Sebastião Mendes - Hoje isso aqui era só pasto e boi.

Fantástico: E o senhor prefere assim?

Sebastião Mendes: Eu prefiro a floresta, porque tem a caça, tem o peixe, tem o passarinho, o papagaio, o tucano, e o seringueiro hoje vive na sua matinha dele feliz da vida, muito melhor que na cidade, que não tem emprego.

Por essa vida de seringueiro, morreu Chico Mendes. Líder sindical, Chico brigou quase dez anos contra a derrubada da floresta para fazer pasto.

“Hoje, nós vivemos em uma situação muito difícil, que não é mais uma questão local, mas sim uma questão nacional”, disse Chico Mendes, em discurso.

O desmatamento acabava com as árvores. Mais do que isso, para os seringueiros, ele significava a expulsão do paraíso de onde tiravam o sustento: a seiva, o látex, matéria-prima da borracha natural.

Os seringueiros não eram donos da terra – trabalhavam na mata com autorização do fazendeiro, em troca de parte da produção. Quando os proprietários venderam a área para criadores de gado, vindos do Sul, começou a briga.

A turma de Chico Mendes inventou o "empate". Os seringueiros e suas famílias entravam na mata, confiscavam motosserras, faziam de tudo para impedir o trabalho do pessoal do fazendeiro.

O outro lado também estava decidido e reagia com violência. Ao longo do ano de 1988, vários sindicalistas foram assassinados em Xapuri. Em dezembro de 1988, Chico entrou na alça de mira dos matadores. "Ele foi abrindo uma porta, pode ver que ainda há marcas de sangue.

Ele foi atingido logo que saiu. Quando abriu a porta, se apoiou. Ainda tem marcas de sangue. Nós não mexemos na parede", conta Elenira Mendes, filha do seringueiro.

Aos 44 anos, Francisco Mendes morreu sem chance de socorro. Deixou mulher e dois filhos. A polícia prendeu o fazendeiro Darly Alves da Silva e seu filho, Darcy. A Justiça acusou o pai de ser o mandante do crime e o filho de ser o executor. Ambos foram condenados a 19 anos de cadeia.

Vinte anos depois do assassinato de Chico Mendes, 18 anos depois da sentença que condenou seus assassinos ser emitida pelo tribunal, voltamos a Xapuri e encontramos os personagens dessa tragédia. O clima entre eles continua sendo de muita tensão.

Darly e Darcy Alves da Silva, depois de fugir e serem recapturados, cumpriram suas penas e voltaram para Xapuri. Encontramos Darly em uma fazenda, a 14 quilômetros da cidade. Pego de surpresa, ele começou mandando desligar a câmera. Depois, botou pra fora o que pensa de Chico Mendes. "Eu fico insultado porque o homem não valia nada. Ele nunca foi seringueiro, o homem nunca trabalhou. Nunca pagou imposto”, afirma Darly.

Darly continua negando o crime, se diz injustiçado na terra, confia na Justiça dos céus e culpa a vítima pela própria morte. "O matador não é quem puxa o dedo, é quem provoca a morte. Ninguém matou Chico Mendes. Quem se matou foi ele mesmo, provocou a morte dele. Não porque ele mexeu só comigo, ele mexeu com todo mundo”, ele diz.

A menina que tinha 4 anos quando Darly mandou matar Chico Mendes seguiu a carreira que o pai sonhava: virou advogada. Elenira Mendes comanda a fundação que leva o nome do ambientalista. Preserva a memória de Chico fazendo trabalho social em Xapuri. Serena, ela não guarda rancor dos matadores do seu pai.

"Eu não tenho nenhum ressentimento contra Darly, contra sua família, porque eu sei que a Justiça de Deus é maior do que a Justiça do homem", avalia.

Xapuri, hoje com 15 mil habitantes, é a cidade de Chico Mendes. A placa na estrada anuncia isso. O museu da fundação relembra. O sindicato que Chico ajudou a criar foi esvaziado. O preço do látex anda baixo e os produtores se afastaram, mas a consciência de que é preciso preservar fez brotar outras oportunidades.

Uma beneficiadora de castanhas surgiu para limpar e embalar, pelo menos, parte da produção de Xapuri. A moderna fábrica de preservativos, feitos de látex natural, já está em fase de testes. Promete absorver, pelo menos, 10% da borracha produzida no Acre.

Até o seringal Cachoeira, berço da luta do seringueiro, também já investiu numa pousada para o ecoturismo. Chico Mendes morreu em Xapuri. E, lá mesmo, continua vivo.

Manifestantes colocaram 16 mil côcos na praia de Copacabana

O protesto, no Rio de Janeiro, lembrou as 16 mil mortes violentas no Estado, nos últimos dois anos.



Um protesto no Rio de Janeiro lembrou as 16 mil mortes violentas no Estado, nos últimos dois anos. E nesta madrugada, um coronel do Exército se tornou mais uma vítima.

O crime foi em São Conrado, bairro nobre da zona sul do Rio de Janeiro. Dois homens tentaram assaltar um carro sem saber que dentro estavam policiais. Houve troca de tiros. O coronel do Exército Cid Canuso, que passava pelo local, ouviu os disparos e tentou evitar a fuga dos criminosos. O coronel e um dos assaltantes morreram.

As mortes violentas no Estado do Rio são tema de mais um protesto na praia de Copacabana. Dezesseis mil côcos foram espalhados pela areia para representar a cabeça, o alvo mais freqüente de bandidos, de acordo com a ONG responsável pela manifestação.

Violência nas ruas do Rio e São Paulo

No Rio, um coronel morreu quando tentava evitar a fuga de ladrões. Em São Paulo, uma médica perdeu a vida ao buzinar quando estava sendo assaltada.



No enterro, parentes e colegas não aceitavam a morte da médica Nadir Oyakawa. Foi um dia de homenagens e revolta.

“Tirar a vida de uma pessoa que salvou tanta gente é inadmissível”, revolta-se uma amiga da vítima.

A ginecologista Nadir Oyakawa chefiava um setor de prevenção ao câncer em um hospital público, referência em saúde da mulher em São Paulo.

“Ela era uma médica dedicada, competente, principalmente com as pessoas humildes”, afirma João Queda, diretor clínico do hospital.

A médica foi surpreendida por três ladrões ontem, na frente da casa da irmã, no Butantã, zona oeste de São Paulo. Ela esperava os sobrinhos para comemorar o aniversário de um deles numa pizzaria. De dentro de casa, os adolescentes ouviram uma buzina e o tiro que matou Nadir.

Uma câmera de segurança gravou a chegada dos três homens. Um deles se aproxima do carro da médica. A câmera não registrou a seqüência completa.

As imagens do assassinato já estão com a polícia. Segundo parentes e vizinhos que prestaram depoimento, os bandidos fugiram a pé e não levaram nada. Uma testemunha que ainda não foi encontrada pode ajudar nas investigações: o motorista do carro que passava pela rua no momento do crime.

Em São Conrado, no Rio de Janeiro, uma tentativa de assalto também terminou em morte. Dois ladrões atacaram o carro dirigido por policiais que não usavam uniformes. Os soldados reagiram. O tiroteio chamou a atenção do coronel Cid Canuso, que tentou ajudar os policiais. Na troca de tiros, o coronel e um criminoso morreram.

Para protestar contra a violência, uma organização não governamental levou 16 mil côcos para a areia de Copacabana. Cada um deles representava uma vítima de homicídio no estado do Rio, nos dois últimos anos. O côco representa a cabeça, o alvo mais freqüente dos disparos. A media é de 21 vidas perdidas por dia.

Tiroteio em posto de gasolina acaba em morte em Salvador

O frentista Rafael Vasconcelos Santiago, de 23 anos, foi atingido por um homem não identificado por tê-lo alertado para diminuir o volume do som do carro. O desconhecido disparou para todos os lados.

10 Dezembro 2008

Mulher acusa médico preso sábado de deformá-la em cirurgia



Bruno Cunha

Rio - A família da cobradora Cleide Julia da Silva, 32 anos, acusa o neurocirurgião Antônio Santo Marchesan, preso sábado, de deformá-la em operação para redução de mamas. Após o procedimento, Cleide ficou em coma por 19 dias; hoje não fala e respira através de sonda implantada na traquéia.

Marchesan, cujo registro foi cassado, responde por exercício ilegal da profissão e falsidade ideológica. O drama de Cleide começou há um ano, quando sentiu fortes dores na coluna e precisou sair do trabalho. De acordo com a família, Antônio, que atendia numa clínica em Mesquita, recomendou que ela retirasse parte dos seios para ser submetida a uma cirurgia de coluna. “Ele nos cobrou R$ 1.600 e não pediu risco cirúrgico. Tivemos que nos virar para pagar”, disse a prima Marinete Melo da Rosa Bandeira, 46.

Em 4 de setembro, Cleide retirou dois quilos de cada seio no Hospital Jabour, em Bangu, e no dia seguinte não acordou. “Era uma emergência. Esse médico só chegou às 16h, dizendo que iria a Nilópolis resolver a transferência dela, mas não voltou mais”, lembrou Marinete.

Levada para o Hospital Carlos Chagas, a paciente permaneceu em coma até o dia 24 de setembro. Teve alta em 1º de outubro, mas mês passado voltou a passar mal, com falta de ar. No Hospital Geral de Bonsucesso foi submetida a traqueostomia.

Peso da mama afeta a coluna

A redução de mama é um procedimento comum para corrigir falhas na coluna. De acordo com o chefe da Traumato-Ortopedia do Hospital da UFRJ, no Fundão, Antonio Vitor de Abreu, a cirurgia é indicada para quem tem mais de 40 graus de curvatura toráxica. “A mama pesada acentua a curva”, explicou o especialista. Marinete, porém, alega que a prima não passou por exames. “Não sabemos se tinha esse nível de curvatura”, acusa. Em janeiro, Cleide passará por nova cirurgia para fechar a traqueostomia.

O Conselho Estadual de Medicina (Cremerj) reitera que mantém em seu site (http://www.cremerj.org.br/) um cadastro atualizado dos profissionais e atende a população no telefone 3184-7050. Segundo o órgão, somente os nomes de médicos com registro ativo e com permissão para trabalhar aparecem. Denúncias deverão ser feitas pessoalmente no órgão, de segunda a sexta-feira, das 9h às 18h, na Praia de Botafogo 228, loja 119-b.

Governador do DF reconhece despreparo da polícia



Marina Mello

Brasília - Em visita ao Congresso nesta terça-feira, o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM), reconheceu o despreparo da polícia local ao comentar o fato de um torcedor do São Paulo ter sido baleado por um policial.

Arruda ressaltou, no entanto, que o despreparo da polícia é um "fenômeno" nacional e não exclusividade do Distrito Federal. "Este é um fenômeno (nacional). Nós vamos investir na preparação da nossa polícia. (...) Temos a preocupação de preparar melhor os policiais militares", disse o governador.

Arruda lamentou o episódio, mas ponderou que o fato não pode retirar Brasília do eixo dos grandes eventos, já que situações muito mais graves ocorreram no Rio de Janeiro e em São Paulo e nem por isso as cidades deixaram de ser palco dos maiores espetáculos que ocorrem no País.

"Lamento profundamente o que ocorreu, mas isso não deve mudar o fato de Brasília ser receptora de grandes eventos. (Situações semelhantes) ocorreram no Rio e em São Paulo e em outras grandes cidades e nós não deixamos de admirá-las", afirmou.

PM comete 8% dos homicídios em São Paulo, revela levantamento



Em São Paulo

Neste ano, a Polícia Militar de São Paulo matou mais, proporcionalmente, do que após os ataques de maio de 2006 do Primeiro Comando da Capital (PCC). Atualmente, os assassinatos cometidos por PMs representam 8% do total dos homicídios entre janeiro e setembro, de acordo com registros oficiais da Secretaria de Segurança Pública. Há dois anos, quando os homens da corporação estavam pressionados pelos ataques da facção criminosa, as mortes por PMs responderam por 7,8% dos casos nesse período.

Ainda assim, a situação é melhor do que em outros Estados. No Rio, a proporção atual é de 18% (no Estado vizinho houve 4.697 mortes violentas nesse período, 849 cometidas pela polícia). Em média, de cada 12 pessoas assassinadas em São Paulo, uma morreu com um tiro disparado por um policial militar.

A porcentagem de homicídios concentrada nas mãos da PM é mais do que o dobro do que o padrão tolerável (3%), usado pelo Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (Cesec), da Universidade Cândido Mendes. Os registros oficiais paulistas usam a mesma metodologia do Cesec.

Segundo os três balanços trimestrais de 2008, a Polícia Militar paulista matou 296 pessoas, aumento de 5,7% com relação ao mesmo período do ano passado (280). Na contramão, há queda geral de homicídios - respectivamente redução de 12,4% no mesmo intervalo de tempo.

Em 2006, foram 5.276 mortes, 413 por PMs. Os dados foram levantados pela reportagem, com base nos registros oficiais da Secretaria de Segurança Pública, somando homicídios dolosos (com intenção de matar), latrocínios (roubo seguido de morte) e mortes em geral cometidas pela polícia.

Polícia procura o assassino de 13 homossexuais em São Paulo

Os crimes aconteceram no intervalo de 18 meses no Parque dos Paturis, em Carapicuíba. Doze das treze vítimas foram mortas a tiros. Uma delas pauladas. Todos eram homens homossexuais.



A polícia paulista está à procura de um homem suspeito de ter cometido uma série de assassinatos. Em pouco mais de um ano e meio, 13 pessoas foram mortas num mesmo local: um parque em Carapicuíba, na Grande São Paulo.

O Parque dos Paturis não tem iluminação. E quem freqüenta esta área pública sabe também não há segurança.

“A gente só vê a polícia militar por aqui de vez em quando, mas é raramente“, conta a costureira Ana Rosa de Jesus.

O Parque dos Paturis fica ao lado do Rodoanel Mário Covas, entre o bairro nobre de Alphaville e uma região pobre de Carapicuíba.

O primeiro assassinato foi registrado em fevereiro de 2007. O último em agosto deste ano. Em 18 meses foram 13 mortes. Os crimes aconteceram entre 20h e 07h. As vítimas: todas homens homossexuais.

O pai de uma das vítimas não quer se identificar e diz que tentou entender por que o filho foi morto aos 26 anos. Ele disse que procurou a polícia e lá disseram que o filho dele era a quinta pessoa morta no parque.

“O próprio pessoal da delegacia que falou que já era a quinta morte totalmente com as mesmas características“, afirma o pai da vítima.

Durante todo este período, a polícia ouviu apenas uma testemunha. Fez um retrato falado mas não quer divulgar porque ainda não confirmou se essa pessoa é mesmo o suspeito.

O que a polícia não tem dúvida é sobre as características comuns entre os crimes. Doze das treze vítimas foram mortas a tiros. Uma a pauladas. Nada foi levado delas. Nenhum dos mortos tinha passagem pela polícia e as vítimas foram escolhidas aleatoriamente.

O delegado Paulo Fernando Fortunato que agora comanda a investigação diz ter uma certeza: foi a mesma pessoa que cometeu os 13 crimes.

“Vamos lançar mão de todos os meios e recursos. Nós não queremos que aconteça um 14º caso na nossa área”, avisa o delegado.

Anvisa investiga infecção em mulheres com implante de silicone

Este ano foram notificados 24 casos de infecção por bactéria em São Paulo, dos quais dez só em Campinas. Todas as pacientes foram submetidas a cirurgias para implante mamário nos últimos seis meses.



A Vigilância Sanitária está investigando um surto de infecção entre mulheres que fizeram implante de silicone. O problema causado por uma bactéria é mais um risco em uma cirurgia comum entre as brasileiras.

A dona de casa Sabrina Rodrigues Santana pôs implantes mamários porque queria ficar mais bonita. Quinze dias depois começaram os problemas. “Minha mama direita começou a inchar e doer. Apareceu uma certa vermelhidão e como se fosse uma inflamação", lembra.

A infecção foi causada por uma micobactéria chamada fortuitum. Ela pode estar no ar, na água e até na pele do paciente. No sangue, se desenvolve rápido e pode levar à morte.

"Pode ser secundária ao próprio processo cirúrgico ou à deficiência na desinfecção do instrumental utilizado", diz o infectologista Rodrigo Angerami.

Este ano já foram notificados 24 casos de infecção por bactéria no estado de São Paulo, dos quais dez só em Campinas. Todas as pacientes foram submetidas a cirurgias para implante mamário nos últimos seis meses. De acordo com as autoridades de saúde, a freqüência já configura um surto. Há suspeita de que outros casos, não relatados, estejam ocorrendo no país.

"Nós recebemos uma notificação de uma pessoa que fez uma cirurgia no Acre e veio se tratar em Campinas. A Agência de Vigilância Sanitária já tinha nos dado o alerta de que realmente deve existir um surto no país", afirma a técnica da Vigilância Sanitária Márcia Beltramelli.

Há quatro anos o Ministério da Saúde determinou mudanças nos procedimentos cirúrgicos, com mais materiais descartáveis, depois de constatado um surto em Campinas. A jornalista Taís Picchi Ferrarezi foi uma das pacientes infectadas.

"Passei por 16 intervenções cirúrgicas. Por fim, tive que retirar a mama direita", conta.

Suspeita-se que alguns produtos e métodos de esterilização, considerados seguros, estejam se tornando ineficientes. As bactérias têm capacidade de se tornar mais resistentes.

Sabrina recebeu de volta o dinheiro que pagou pela cirurgia. Retirou os implantes, mas ainda vai passar por um tratamento de seis meses à base de antibióticos. "Você faz uma coisa que é um sonho e acaba virando um pesadelo", lamenta.

Brasil tem 137 assassinatos por dia

Os repórteres Braz Vieira e Delis Ortiz prepararam uma série especial sobre a violência e foram ouvir cientistas, juristas e professores para mostrar por que a criminalidade é tão alta no Brasil.



O uso da violência e os crimes bárbaros se multiplicam. Tornam-se tragicamente comuns. Mas por quê? Os repórteres Braz Vieira e Delis Ortiz foram ouvir cientistas, juristas e professores em busca de respostas.

A violência é diária. Está em toda parte.

“Infelizmente, a gente fica meio neurótica com isso porque a gente vê tanta coisa. Então, não tem como. Não há segurança”, aponta uma idosa.

Vai se construindo em pequenas ações ou grandes tragédias. Da irritação no trânsito surgem monstros.

“O nível de tolerância diminuiu e aumentou muito a sensibilidade às frustrações. Então, hoje as pessoas têm uma tendência a responder com explosividade ”, explica o psicólogo Antônio Serafim.

Para um consumidor a gota d’ água foi um bacon que ele não queria no sanduíche. Dois funcionários tiveram que segurar o cliente.

Na tragédia dos Richtoffen: a própria filha planejou a morte dos pais.
No ABC Paulista, os filhos é que foram vítimas. Um com 12 e outro com 13 anos. Asfixiados, queimados e esquartejados pelo pai e a madrasta.

O grau de civilidade de um país se mede pelo número de crimes com mortes. Em 2006, o Brasil registrou quase 50 mil assassinatos, de acordo com a Organização Mundial de Saúde: 137 mortes diariamente. Para se ter uma idéia do tamanho do absurdo, no Iraque em 2006, mesmo com a guerra, o número de civis mortos foi de 34 mil, de acordo com a ONU.

“Nós temos 3% da população e temos de 10% a 12% dos assassinatos do planeta“ aponta o consultor de Segurança Pública José Vicente da Silva Filho.

“No dia-a-dia a gente vê, está na cara da gente”, diz um homem.

“Todo mundo é alvo”, admite outro homem.

Às vezes somos surpreendidos. Banalizada, a violência começa cada vez mais cedo. Zoar, ofender, ignorar, excluir, humilhar, ferir, perseguir, discriminar. São verbos comuns nas brincadeiras de escola e, por isso mesmo, vistos como próprios da idade, da convivência entre colegas. Mas essas ações escondem uma violência silenciosa.

É o bullying e envolve metade dos estudantes em todo o país, diz a pesquisadora do Centro de Estudos sobre Bullying Cléo Fante

“Crianças muito pequenas são envolvidas em bullying. Praticando atitudes que a gente nem acredita que é uma criança que está por trás desse tipo de comportamento”, conta a pesquisadora.

O agressor é intolerante, está sempre metido em confusões, gosta de aparecer, age com o apoio de dois ou três colegas, precisa de platéia.

A agressão pode ser física, verbal ou psicológica. O alerta vem de Governador Valadares, em Minas Gerais.Em uma escola particular um aluno de 12 anos foi vítima dos colegas. A mãe contou o drama.

“Abaixaram o calção dele e tentaram machucá-lo com um cabo de vassoura. Isso não acontece de uma hora para outra, isso vai crescendo, vai aumentando e uma hora você perde o controle”, desabafa a mãe.

A escola expulsou os agressores e aprendeu a lição. O combate à violência entre estudantes tem que ser permanente. As vítimas e as testemunhas têm que ter apoio para denunciar e os agressores têm que ser punidos.

“Nós temos que partir do pressuposto que não há brincadeiras quando alguém está sofrendo. Essas práticas são muito mais comuns do que imaginamos e muitas pessoas estão sofrendo com isso”, esclarece o promotor de Minas Gerais Lélio Braga Calhau.

Casal de idosos volta para casa e morre soterrado em SC



DIMITRI DO VALLE,
em Gaspar

Após uma semana sem o registro de novas mortes por deslizamentos em Santa Catarina, a Defesa Civil do Estado confirmou neste fim de semana que mais duas pessoas foram soterradas no Vale do Itajaí.

Um casal de idosos que havia saído da casa após um desmoronamento voltou ao local -- considerado área de risco e evacuado pelo órgão --, em Gaspar (140 km de Florianópolis), e acabou soterrado.

Os agricultores familiares Zigfritz Taihetch, 77, e Erna Iolanda Cipriano, 79, que haviam sido resgatados e levados a um abrigo após terem a casa atingida, voltaram por conta própria para o terreno e foram atingidos por um desmoronamento no bairro Belchior Baixo.

No fim de semana anterior, quatro moradores que retornaram para locais interditados por causa de inundações e deslizamentos também foram mortos em Ilhota. As outras mortes registradas durante a semana passada foram referentes a corpos encontrados por problemas no início das chuvas ou por pessoas reconhecidas por parentes no IML.

O total de mortos subiu ontem para 123. O corpo de uma criança que estava desaparecida em Ilhota foi localizado, segundo a Defesa Civil. Há ainda 29 desaparecidos.

Segundo a Defesa Civil de Gaspar, o casal quis voltar para tentar retomar o trabalho na propriedade. Como a casa já havia sido destruída pela lama que desceu das encostas, o casal abrigou-se num galpão na parte superior do terreno, que foi atingido por novo deslocamento de terra na noite de sábado.

Bombeiros de Blumenau e homens da Força Nacional de Segurança tentaram iniciar uma operação de resgate dos corpos dos agricultores na tarde de anteontem. Devido ao acúmulo de terra que se formou na propriedade, as buscas foram suspensas no final da tarde. Ontem, após a constatação de risco de mais deslizamentos, as equipes não retomaram o trabalho.

O diretor da Defesa Civil de Gaspar, Luiz Mario da Silva, diz que suspeita que o casal foi soterrado devido à movimentação de terra que ainda acumula muita água presa ao solo, já que não choveu no fim de semana.

A direção do órgão diz que estuda meios jurídicos para impedir que famílias insistam em retornar para casas condenadas. "O caso dos idosos é um fato isolado, mas não dá para deixar que se repita. Está sendo feita uma consulta aos advogados do município", diz Silva.

Cerca de 600 pessoas ainda estão em abrigos de Gaspar por causa do risco de deslizamentos ou porque perderam tudo na inundação. No Estado, são 33 mil pessoas fora de casa -- mais de 6.000 só em abrigos.

08 Dezembro 2008

Milícia cobra mais que IPTU

Moradores são obrigados a pagar a paramilitares valores superiores ao imposto da prefeitura



Christina Nascimento e João Antonio Barros

Rio - A exatidão dos cálculos reflete o domínio livre das milícias. Nas ruas que cercam as comunidades exploradas pelos grupos paramilitares, a cobrança de serviços clandestinos já supera os valores pagos de IPTU à prefeitura. É assim em Quintino, onde moradores desembolsam R$ 40 por mês para parcelar o imposto predial, cobrado anualmente, e R$ 50 mensais para a organização criminosa, que, em troca, finge oferecer ‘segurança’ residencial. Situação parecida acontece em Brás de Pina e Pilares, bairros em que a taxa municipal chega a ser quase metade do que exige o bando armado ao longo de um ano.

A milícia, que também controla favelas, parece implacável quando o assunto é cobrar de quem reside no asfalto. A regra é exigir mais de quem ganha mais. Nessa matemática criminosa, eles mantêm-se vigilantes a qualquer sinal de melhora de poder aquisitivo dos moradores. “Aqui, são R$ 20 para o ‘gatonet’ (TV a cabo clandestina) e R$ 25 para a segurança. Pago R$ 300 de IPTU. Estou falindo de tanto dar dinheiro para esse milicianos. Eles simplesmente cismaram que eu sou rica”, contou a professora Carla, 30 anos, moradora de Brás de Pina.

Tão cruel quanto a cobrança é a punição. Quem não paga, é ameaçado, tem a casa invadida e obrigado a vendê-la por preços muitos inferiores ao mercado. “Tem um rapaz da minha rua que teve a residência atacada nove vezes. É desanimador. A minha também foi invadida. Ela vale uns R$ 150 mil, mas eles exigem que eu rapasse para o bando por R$ 30 mil. Se eu não aceitar, já sei que terei prejuízo”, disse uma doceira de Quintino, de 48 anos.

Em Sepetiba, na Zona Oeste, reduto da milícia ‘Liga da Justiça’ a extorsão aos moradores tem símbolo. Os paramilitares pintaram suas ‘marcas’ nos muros para controlar quem está quite com a mensalidade. O trevo verde significa pagamento para ‘gatonet’ (R$ 25) e o pinheiro vermelho, dinheiro que é devido para a ‘segurança’ (R$ 30).

No sábado, a localidade parecia mais movimentada do que de costume. Fogos de artifícios anunciavam o churrasco que aconteceria mais tarde com a presença de Ricardo Teixeira da Cruz, o Batman, que fugiu pela porta da frente de Bangu 8, em outubro. Antes da festa, o pistoleiro da milícia teria passado por várias ruas que exibem os símbolos com uma escolta de três viaturas e homens armados.

Cobranças causam desespero

Desanimado, o aposentado Jorge, 74 anos, conta o dinheiro que sobrou dos R$ 480 mensais que recebe. Pressionado pela milícia do Morro do Sassu, em Água Santa, ele entrega R$ 60 todo mês para custear a ‘segurança’ na região. Não é o único, mas é dos poucos que teve o valor da cobrança reajustado pelo bando — antes, desembolsava R$ 30.

A justificativa é que Jorge tornara-se um comerciante. A idéia falseada pelo argumento de extorsão norteava os homens que chegaram armados para cobrar o novo valor do aposentado, que resolveu vender balas no portão de casa para aumentar a renda. “Toda sexta-feira, fim de mês, escuto a batida na porta e meu coração dispara. Logo depois vem os gritos do homem, que com um talonário na mão, avisa: ‘Cadê a mensalidade?’”.

Só com remédios, Jorge gasta metade do que ganha. Ele diz que o responsável pela coleta das taxas de segurança e ‘gatonet’ chega nas casas com um recibo da associação de moradores. “Quando ele bate na porta, fico muito nervoso. Não sei como não tive um ataque cardíaco ainda. Penso em não pagar, mas não sei se suportaria a pressão. Eles podem me matar”.

CHEFÕES LEVAM VIDA DE MILIONÁRIOS

A atuação dos grupos paramilitares no Rio de Janeiro vem sendo denunciada pelo O DIA, que em julho mostrou como vivem os homens investigados de comandar as milícias. Exibiu que eles moram em condomínios e apartamentos de alto luxo — ao contrário das residências pobres dos lugares que exploram —, andam em carros blindados, têm casas de veraneio e desfrutam de barcos, iates e fazem viagens em cruzeiros. Tudo graças aos lucros milionários proporcionados pela cobrança de taxas de segurança e de serviços.

As denúncias provocaram a ação da Receita e da Polícia Federal, que indiciou 15 pessoas por lavagem de dinheiro e extorsão e abriu investigação por enriquecimento ilícito. Outras histórias contadas nas reportagens mostram a atuação dos currais eleitorais, os assassinatos em série e os grandes empreendimentos montados pelos suspeitos.

Os fatos foram comprovados pela CPI das Milícias, que indiciou e pediu a prisão de 226 envolvidos (43 citados na série de matérias ‘Dossiê Milícia’). Entre os citados estão oito políticos (um ex-deputado, cinco vereadores e dois vereadores recém-eleitos).

Sete pessoas morrem atropeladas na BR-101



Pernambuco - Um grupo com cerca de 30 romeiros que se dirigia da cidade de Igarassú, na região metropolitana de Recife (PE), para o morro da Conceição, na capital, foi atropelado por um veículo em um viaduto na BR-101 na madrugada desta segunda-feira. Sete pessoas morreram no acidente.

Segundo a Polícia Rodoviária Federal, o motorista do veículo que teria causado o acidente, o comerciante Hugo Firmino da Silva, 33 anos, estava embriagado.

No choque, quatro pessoas foram jogadas do viaduto. O carro, que era de propriedade de um cunhado do motorista, ficou destruído. O motorista foi socorrido para o hospital em estado grave.

Duas vítimas foram identificadas: Sebastião Araújo Lisboa Filho e Roberto Luís da Rocha Júnior, 13 anos. Outras duas mulheres foram identificadas apenas como Carmem e Socorro. As outras vítimas ainda não foram identificadas.

Tráfico usa crianças como “mula” em prisões do Estado de São Paulo



Em São Paulo

O tráfico usou pelo menos 35 crianças neste ano, acompanhadas das mães, para introduzir drogas e telefones celulares nas três penitenciárias de Mirandópolis - duas de regime fechado e uma de semi-aberto -, no oeste do Estado de São Paulo.

Os números foram divulgados pelo Conselho Tutelar da cidade. O reflexo está nas cadeias públicas femininas da região, todas superlotadas por conta das prisões das mulheres. Segundo a Polícia Civil, 99% das presas foram flagradas tentando entrar com entorpecentes nos presídios.

O conselheiro tutelar Antonio Franquini Collaviti, de 45 anos, disse que 20 crianças foram usadas para transportar telefones celulares e 15 para levar drogas.

Collaviti afirmou ainda que as mães usam desde recém-nascidos a menores de até 12 anos. As mães flagradas utilizando filhos para levar entorpecentes aos presídios foram autuadas por tráfico. As outras respondem ao processo em liberdade.

De acordo com Collaviti, a cada visita, as mães mudam a estratégia para tentar burlar os detectores de metais e aparelhos de raio X nos presídios. Algumas fazem falsos curativos nas crianças. Sob o esparadrapo colam o celular e acessórios do telefone, como chips e baterias, ou porções de droga.

05 Dezembro 2008

Policiamento permanente em favela traz esperança de revitalização às ruas de Botafogo



Paula Sarapu

Rio - O novo modelo de policiamento comunitário implantado no Morro Dona Marta, em Botafogo, deverá trazer esperança para além dos limites da comunidade. Imóveis próximos à favela, que há mais de duas décadas sofrem desvalorização por causa do tráfico de drogas e da criminalidade, terão pela frente muito mais do que a visão dos barracos e o som dos disparos. A expectativa do mercado imobiliário é de que, em seis meses de ocupação policial, os imóveis valorizem entre 20% e 30%.

De acordo com o vice-presidente da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi) e presidente da Patrimóvel, Rubem Vasconcellos, apartamentos no entorno da favela chegam a valer 80% menos do que imóveis similares longe da área de risco. A aposentada R., 82 anos, vive há mais de 40 anos diante do Dona Marta, mas confessa que tem muito medo das balas perdidas.

“Eu já me acostumei com a rotina dos meus vizinhos e ultimamente só o forró tem incomodado, porque eles estão bem calmos. Mas acho que muitas pessoas se assustariam com o que vejo da janela e, talvez, não quisessem morar aqui. Não sei se o Dona Marta está livre dos bandidos, como diz o governador, mas o que queremos é paz para todo mundo”, disse.

Para Rubem Vasconcellos, os valores dos imóveis vão se recuperar à medida que a população tiver mais confiança na ação da polícia. “Vejo essa iniciativa com muita felicidade. Era o que o Rio realmente precisava. A favela pode assustar, mas é o tráfico que causa pânico”, afirmou.

Uma bala de fuzil presa no motor do ar-condicionado do apartamento da auxiliar de serviços administrativos J., 50 anos, fez com que ela colocasse o imóvel à venda há um ano e meio. Ela mora com o filho de 11 anos em um dos acessos à comunidade e viveu momentos de pânico durante invasões de bandidos e operações da polícia. Na rua dela havia venda de drogas e muitos usuários antes da chegada da PM, há quase duas semanas.

“Foram vinte anos de trabalho para comprar este imóvel e hoje me arrependo porque, se vendê-lo, vou conseguir menos do que precisaria para ir para outro lugar. Acho que a presença da PM vai fazer bem para quem ficar por aqui, mas eu quero ir embora logo”, disse.

O empresário Marlei Feliciano, da Ética, acredita que a recuperação será gradativa. “Um apartamento de dois quartos em um bom ponto de Botafogo vale R$ 300 mil. Imóvel semelhante, à beira da favela, não consegue ser vendido pela metade deste valor. Foram décadas de degradação e cada mês de exercício do poder público será comemorado. Se tudo der certo, em seis meses os imóveis já estarão valorizados em 20%”, acredita.

EDUARDO PAES ANUNCIA MUTIRÃO DE SECRETARIAS

O prefeito eleito Eduardo Paes vai promover um grande mutirão de secretarias para levar ao Dona Marta um plano de ocupação social. Nos primeiros dias de janeiro, ele pretende fazer uma reunião com todos os secretários, para que eles possam fazer um diagnóstico da comunidade e tentar atender às demandas dos moradores. “Essa iniciativa é um golaço e não vamos ficar fora”, afirmou.

Como presente de Natal, no dia 23 de dezembro, alguns moradores receberão casas novas, que estão sendo construídas no lugar de casas de madeira, no alto do morro. A Empresa de Obras Públicas (Emop) também deverá entregar, de acordo com o calendário das obras, a ampliação de uma creche na Rua Jabuti, no meio da comunidade. A antiga, construída no ponto mais alto da comunidade, dará lugar à Companhia de Policiamento.

Até 2010, serão investidos pelo governo estadual mais de R$ 28,5 milhões na substituição das unidades de madeira e urbanização dessas áreas, recuperação de fachadas, pinturas e pequenas reformas, inclusive telhados, em 618 casas, e relocação de 145 unidades habitacionais situadas em área de risco geológico.

A Secretaria estadual de Cultura também vai levar o Projeto de Ocupação Cultural (POC), realizado nas comunidades beneficiadas pelo PAC, para Botafogo. Serão oficinas de música, teatro, dança, literatura, artes plásticas e fotografia para jovens moradores.

Priscila, nova ‘dona’ do Dona Marta

Uma mulher de 30 anos foi a escolhida para assumir o comando da tropa de 120 policiais do novo policiamento comunitário do Morro Dona Marta. A capitã Priscila de Oliveira Azevedo, discípula do comandante do 1º Comando de Policiamento da Capital, coronel Marcus Jardim, terá que garantir a aposta do governo estadual no novo modelo de ocupação e, principalmente, manter afastados os bandidos que fugiram da favela.

Priscila tem coragem para isso. Em setembro de 2007, foi seqüestrada em Niterói e levada por bandidos armados em seu próprio carro. Os criminosos descobriram que ela era policial ao ver a munição da pistola da oficial no veículo. E passaram a circular com ela por três favelas. Tenente na época, Priscila foi espancada, amarrada e colocada na mala do carro, de onde conseguiu fugir e pedir ajuda a um morador.

Com a chegada dos colegas, ela fez questão de participar da operação em busca dos homens que a mantiveram refém por horas. E prendeu os quatro bandidos.Há dez anos na corporação, a capitã está lotada no 16º BPM (Olaria) e esteve com Jardim também nos batalhões de Itaboraí e Niterói. Depois do seqüestro, Priscila foi homenageada pelo secretário de Segurança, José Mariano Beltrame. Na ocasião, ela disse que segue à risca o hino da PM: “Ser policial é, sobretudo, uma razão de ser. A gente pode ajudar a sociedade, dar segurança às pessoas”.

Os 120 policiais farão curso intensivo de policiamento comunitário nos próximos 15 dias.

Tiroteio e assaltos na Região Oceânica de Niterói



Sérgio Jardim

Policiais do 12º BPM (Niterói), lotados no Destacamento de Policiamento Ostensivo (DPO) do Cafubá, na Região Oceânica de Niterói, frustraram o que, de acordo com a 77ª DP (Icaraí), poderia se tornar um arrastão em Itaipu. Na noite de segunda-feira, os militares trocaram tiros com três suspeitos de assaltar um universitário e uma aposentada. Na ação, um acusado foi preso, outro ficou ferido e um terceiro conseguiu escapar.

De acordo com os PMs, durante a tentativa de fuga, o carro onde viajava o trio, um Gol preto, placa KZV-1442, capotou em Várzea das Moças, por volta das 22h30. Os acusados foram identificados pela polícia da seguinte maneira: Marlon Cleiton Oliveira da Silva, de 19 anos, foi preso, enquanto Rodrigo da Silva Aguiar, de 23, levou um tiro de fuzil nas costas e está internado na Unidade de Emergência Municipal Mário Monteiro, no Cafubá. Segundo médicos da unidade, ele não corre risco de morte. Um terceiro homem – que seria o dono do veículo e filho de um comerciante de São Gonçalo – conseguiu fugir.

O caso foi registrado na 77ª DP por ser a Central de Flagrantes. De acordo com agentes da distrital, o objetivo do trio seria praticar uma série de roubos em Itaipu, principalmente, contra transeuntes.

A primeira vítima foi um estudante de Direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), de 26, que teve a mochila roubada. Ele ainda foi agredido com um soco no rosto.

Minutos depois, os acusados teriam atacado uma aposentada que chegava em casa, na Rua 25, no mesmo bairro. Ao ser abordada, ela gritou por socorro, alertando vizinhos, que chamaram a polícia. Os PMs disseram que iniciaram a perseguição e os suspeitos fizeram disparos contra a patrulha. Na Avenida Plínio Matos, em Várzea das Moças, o carro em que os acusados estavam capotou.

No veículo, contam os PMs, foram apreendidos uma trouxinha de maconha, uma pistola 9 mm com três munições, a mochila do estudantes, a bolsa da aposentada e os documentos do suposto dono do carro.

Ainda de acordo com a polícia, os três são moradores de São Gonçalo. Existe também a suspeita de que o fugitivo seja de classe média e filho de um comerciante do Mutuá. Segundo um policial militar que participou da ação, Rodrigo, que foi baleado, chegou a fingir estar morto para despistar a ação da polícia.

01 Dezembro 2008

PM é baleado dentro de casa em Duque de Caxias Policial reage a um assalto e acaba matando um dos assaltantes



Arthur Rosa

Rio - O policial civil Luís da Silva Machado, de 59 anos, foi baleado nas costas, após reagir a um assalto dentro de sua casa, no início da madrugada desta segunda-feira, em Duque de Caxias.

Um bandido foi morto por ele e outro foi baleado, mas conseguiu fugir. O policial foi levado para o Hospital de Saracuruna, na Baixada, e liberado após ser medicado.

PM morre a tiros durante assalto em bar na Zona Norte

Segundo os agentes, cerca de cinco assaltantes teriam rendido os clientes do estabelecimento.



Um policial militar foi morto a tiros durante um assalto num bar em Maria da Graça, Zona Norte do Rio.

O PM Daniel da Silva, de 39 anos teria reagido, mas os bandidos atiraram, pelo menos 15 vezes, contra o policial. O caso foi registrado como latrocínio: roubo seguido de morte.

Menina de 2 anos que foi morta na Baixada pode ter sofrido agressão

A polícia investiga a morte de uma menina de apenas dois anos, que teria sido agredida por uma vizinha da família, em Belford Roxo, quando ela tomava conta da criança.


O enterro da Mirian da Silva de apenas dois anos foi no Cemitério da Solidão, em Belford Roxo, na Baixada Fluminense. Desespero da mãe e do pai da menina.

Parentes disseram que na última sexta-feira, Mirian ficou sob os cuidados de uma vizinha, Patrícia Barbosa, de 29 anos.

A mãe, a diarista Luzinete Silva e o pai, o ajudante de obras, Erivaldo Sebastião da Silva, estavam trabalhando e não podiam ficar com a criança. Uma amiga contou que Patrícia chegou a pedir socorro quando a menina começou a passar mal. Segundo os médicos, Mirian estava morta quando deu entrada num posto médico em Belford Roxo.

O atestado de óbito divulgado é claro: a criança teve uma hemorragia interna causada por uma ação contundente, que pode ser uma pancada e até mesmo agressão. Na delegacia, Patrícia alegou que a criança passou mal quando estava tomando banho.

Com o atestado de óbito do Instituto Médico Legal só foi liberado ontem, Patrícia não ficou presa. Mas como o laudo é recente o delegado pensa em indiciá-la por maus tratos, pena que pode chegar a 12 anos de prisão.

“Não vai restar outra opção que a de pedir a prisão da autora, o crime é bárbaro, traz repercussão social e é inaceitável”, fala José Mario Omena, delegado.

Antes do velório da menina de 2 anos, muitos moradores, segundo testemunhas, ainda revoltados com a morte de Mirian, foram até a casa de Patrícia. Eles queimaram tudo o que viram pela frente, o fogo destruiu quase tudo, sala, cozinha. Patrícia mora bem perto da casa dos pais de Mirian, no bairro Parque Fluminense, em Belford Roxo. Ela e a família desapareceram.

Deslizamento atinge equipe de resgate em Santa Catarina



ALENCAR IZIDORO
em Ilhota

Novos deslizamentos de terra ontem na divisa de Luiz Alves e Ilhota, região mais afetada pelas chuvas em Santa Catarina, deixaram ao menos três mortos e mais de dez feridos, incluindo um grupo de oito homens da Força Nacional de Segurança que tentava retirar moradores da área.

Um dos homens da equipe de resgate estava ontem à noite em estado grave na UTI de um hospital de Itajaí, outro se machucou sem gravidade e seis tiveram escoriações leves.

É a primeira vez que pessoas envolvidas no resgate foram incluídas entre as vítimas das chuvas na região, justamente no momento em que os desabamentos de morros avançam e as áreas de risco são ampliadas.

Entre as vítimas ontem havia ao menos cinco crianças que eram transportadas em uma pequena carreta, duas das quais morreram, segundo integrantes de equipes policiais, médicos e moradores. Os corpos de uma criança de dez anos e de uma mulher de 69 anos começaram a ser velados ontem, às 22h, numa igreja em Luiz Alves. O de um garoto de sete anos ficou soterrado, disse Djovan Gesser, dono da funerária do município.

O nome do integrante da Força Nacional ferido gravemente não foi divulgado. Ele teve afundamento do tórax e do maxilar e fratura do fêmur.

Segundo Milton Kern, tenente-coronel e coordenador de operações aéreas da Defesa Civil, alguns moradores resistiam a sair da região e seriam retirados à força.

Resgate suspenso

O deslizamento chegou a arrastar um trator da equipe da Força Nacional e também feriu, sem gravidade, outra criança de seis anos e um adolescente de 16. O resgate nas proximidades teve de ser suspenso, mesmo sem conseguir retirar todos os habitantes das áreas de risco.

Depois do acidente, Kern disse que as equipes de busca foram orientadas a só fazer os resgates em áreas de risco por helicóptero, e não mais por via terrestre, como ocorreu em Luiz Alves.

Zilda Bueno, assessora jurídica do hospital Marieta Konder Bornhausen, de Itajaí, onde o integrante da Força Nacional estava na UTI, os escorregamentos em Luiz Alves atingiram no total 18 moradores, três dos quais estavam em estado grave em Itajaí. Crianças com ferimentos foram levadas a, ao menos, três unidades de saúde.

Bombeiros afirmaram que a quantidade de vítimas pode ser ainda maior. Na noite de ontem, a Defesa Civil só havia confirmado duas novas mortes.

Situação grave

Mesmo com a volta do sol, a situação na divisa de Ilhota com Luiz Alves se agravou ontem porque as áreas de deslizamento avançaram e dificultaram os trabalhos de resgate.

Técnicos do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo) ampliaram a área considerada de risco. O prefeito de Ilhota, Ademar Felisky (PMDB), disse ontem que há pelo menos 40 desaparecidos na cidade, que já registra oficialmente 37 mortes. Questionado se acreditava que essas pessoas ainda poderiam estar vivas, disse: "Não, provavelmente estão mortas".

Ontem, foram resgatadas ao menos 42 das 200 pessoas que continuam ilhadas na região do Morro do Baú.

Hospital de campanha

A Aeronáutica estava ontem terminando a instalação, entre as cidades de Ilhota e de Itajaí, de um hospital de campanha, que começa a atender hoje. O objetivo não é socorrer casos graves, mas desafogar os setores de emergência dos hospitais da região.

A expectativa é que comecem a surgir casos de doenças decorrentes da chuva, como leptospirose, além de diarréia e problemas gástricos. A unidade tem capacidade para atender a 400 pessoas.

De acordo com a Secretaria de Saúde de Santa Catarina, já há no Estado 11 casos de vítimas da enchente com suspeita de leptospirose.

Colaborou a Agência Folha

Bandidos levam carro com criança de 5 anos dormindo dentro



Em São Paulo

Dois criminosos furtaram um Monza preto onde havia um menino de 5 anos dormindo no banco traseiro. O fato ocorreu por volta da 1h desta madrugada, em frente ao Hospital Estadual do Grajaú, na zona sul da capital paulista.

Segundo a PM, os pais do menino tiveram que entrar às pressas no hospital pois socorriam um amigo, mas deixaram o filho, P.C.S.C., dormindo no veículo. Depois de cerca de 25 minutos, quando saíram do hospital, o carro já havia sido levado.

PMs encontraram o veículo uma hora depois, a 20 quilômetros do local, em Parelheiros, no extremo da região sul. A criança ainda estava dormindo e não percebeu o assalto. Os ladrões teriam abandonado o carro, do qual nada levaram, após perceber que nele havia a criança.